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RFID em CME: o que dá para ler e o que não dá

A leitura UHF identifica instrumentos sem contato e sem linha de visada, mas o resultado depende de como os instrumentos estão dispostos.

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Em resumo
  • A leitura UHF dispensa contato e linha de visada. Um estudo mediu 64,0 s contra 190,4 s do código de barras para 41 instrumentos, com equipe experiente.
  • Ler 100% dos instrumentos dentro de uma caixa fechada não é possível. Para garantir 100%, os instrumentos são dispostos sobre uma mesa não metálica e lidos um a um.
  • A tag tem resistência comprovada a mais de 1500 ciclos de autoclave a 134 °C.
  • Vários estudos usam RFID de alta frequência. A arquitetura UHF exige validação própria de leitura, proximidade de metal e esterilização.

O que a leitura UHF faz

As tags SureKits são RAIN RFID UHF Gen2, com 96 bits de memória EPC e codificação no padrão GS1 EPC. A tag de instrumento mede 5 mm x 1,8 mm x 1,3 mm e é lida de 10 cm a 3 m, conforme o tipo de instrumento.

A leitura dispensa contato e linha de visada. O Datamatrix gravado no instrumento é lido um a um, com a marca virada para o leitor, e o RFID lê vários itens de uma vez sobre a mesa. Num ensaio com 41 instrumentos, o RFID levou 64,0 s e o código de barras 190,4 s, com equipe experiente. [2]

Por que a caixa fechada não é lida por inteiro

O metal da caixa e dos próprios instrumentos amontoados atrapalha a leitura por rádio. Por isso a leitura de 100% dos instrumentos dentro de uma caixa fechada não é possível.

Os números publicados vão no mesmo sentido. Num ensaio de 125 instrumentos, a contagem completa ocorreu em 2 de 4 testes, e nos outros dois foram detectados 124 de 125. Durante cirurgias, um estudo com 15 pacientes registrou detecção de 95% em passagem única e de 100% acumulada, com interferência do eletrocautério. [6] Esse resultado não equivale a leitura completa a cada passagem.

Como garantir 100%

A contagem confiável é feita com os instrumentos espalhados sobre uma superfície não metálica. Na prática, isso se resolve de quatro maneiras:

  1. Mesa não metálica. Os instrumentos são dispostos sobre a mesa e lidos um a um, fora da caixa.
  2. Coletor ID50. Coletor RFID UHF de mão da Identix, usado sobre a mesa na sala de cirurgia, no expurgo ou no arsenal.
  3. Mesa de leitura DR-max. Mesa da Identix para o expurgo e a montagem na CME. A contagem também pode ser feita passando um ou mais instrumentos sobre ela.
  4. Cesto e carga. Os cestos que levam os instrumentais pela lavadora e pela esterilização também recebem tag, e o cesto é identificado junto com a carga.

A tag e os ciclos da CME

A resistência comprovada da tag de instrumento passa de 1500 ciclos de autoclave a 134 °C, e ela suporta ultrassom e termodesinfecção. As tags passam por ensaios de laboratório, incluindo compressão e corrosão com envelhecimento acelerado em corpos de prova.

A tag e o método de aplicação são patenteados para que ela não se solte, o que reduz o risco de objeto estranho retido. Cestos e contêineres têm uma tag própria, de 50 mm x 15 mm x 3 mm, lida a partir de 2,5 m.

O que os estudos com alta frequência valem para UHF

Vários estudos publicados usam RFID de alta frequência, de 13,56 MHz. O SureKits usa UHF, e uma arquitetura UHF exige validação própria de leitura, proximidade de metal e esterilização.

Isso vale para os números citados neste texto. Eles mostram que o tempo de contagem pode cair com RFID em cada arranjo estudado, e não garantem o mesmo valor em outro hospital. O caminho prudente é medir nos kits e com a equipe do próprio hospital.

Como começar

O hospital pode começar pela contagem simples com os coletores RFID da Identix e crescer a partir daí. As leituras seguem para o software de CME que ele já usa, por integração. O SureKits cuida da identificação e da leitura e não é um software de gestão de CME.

As tags são aplicadas no próprio hospital, sem retirar instrumentais da instituição: sem custo de transporte e sem cirurgias canceladas por causa da aplicação. O RFID e o Datamatrix funcionam juntos, e o hospital pode manter a própria codificação, mesmo que não siga o padrão GS1 nem a UDI.

Não é preciso colocar RFID em todos os instrumentos de uma vez. A cobertura cresce no ritmo do orçamento e das prioridades da CME.

O que ainda não está provado

  1. Desfechos clínicos. Não há estudo robusto que atribua ao RFID individual de instrumentos redução de infecção do sítio cirúrgico, mortalidade, objetos retidos ou cirurgias canceladas.
  2. Perdas e quebras. Também não há demonstração de redução causal de perdas, reparos ou quebras. Os dados de histórico permitem estudar a vida útil, mas não provam que alertas reduziram quebras.
  3. A contagem manual continua. A AORN trata o RFID como auxiliar da contagem. Nenhum dos estudos justifica abolir a contagem manual do protocolo sem validação e aprovação do hospital. [21]
  4. Norma brasileira. A RDC 15/2012 exige a rastreabilidade do processamento, incluindo os lotes de esterilização, e não obriga RFID individual por instrumento. [20]

Perguntas frequentes

Dá para ler todos os instrumentos de uma caixa fechada?

Não. O metal da caixa e dos instrumentos atrapalha a leitura. Para garantir 100%, os instrumentos são dispostos sobre uma mesa não metálica e lidos um a um.

A tag resiste à autoclave?

Sim. A resistência comprovada passa de 1500 ciclos de autoclave a 134 °C, e a tag suporta ultrassom e termodesinfecção.

Os estudos com RFID valem para UHF?

Vários usam alta frequência. Uma arquitetura UHF exige validação própria de leitura, proximidade de metal e esterilização.

Preciso mandar os instrumentais para fora do hospital?

Não. As tags são aplicadas no próprio hospital, sem retirar instrumentais da instituição.

O RFID substitui o Datamatrix?

Depende do instrumento. Se ele já tem Datamatrix, os dois se complementam. Se não tem marcação, o RFID dá a identidade sem gravação externa.

O SureKits substitui o software da minha CME?

Não. Ele cuida da identificação e da leitura por RFID e se integra ao software de CME que o hospital já usa.

Fontes

  1. Kusuda K, Yamashita K, Morishita E, et al. Comparison of Reading Times of RFID-Tagged and Barcode-Engraved Surgical Instruments. J Surg Res. 2024;304:121-125. doi.org/10.1016/j.jss.2024.09.087
  2. Yamashita K, Kusuda K, Ito Y, et al. Evaluation of Surgical Instruments With Radiofrequency Identification Tags in the Operating Room. Surg Innov. 2018;25(4):374-379. doi.org/10.1177/1553350618772771
  3. Anvisa. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012, arts. 24 a 26. anvisalegis.datalegis.net
  4. Cochran K. Guidelines in Practice: Prevention of Unintentionally Retained Surgical Items. AORN J. 2022;116(5):427-440. doi.org/10.1002/aorn.13804

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