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Contagem de instrumentais no centro cirúrgico: o que o RFID mede e o que ele não substitui

Contar os instrumentais antes e depois da cirurgia toma tempo da equipe e hoje depende de conferência manual. Estudos com RFID mediram o tempo de contagem. A leitura confere os itens na sala, e a contagem manual do protocolo continua.

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Em resumo
  • A conferência dos instrumentais na sala é manual hoje. Estudos com RFID mediram contagens mais rápidas, cada uma no seu arranjo, e a contagem manual do protocolo continua até o hospital validar a mudança.
  • Na contagem de 41 instrumentos, um estudo mediu 64,0 s com RFID contra 190,4 s com código de barras, com equipe experiente. Cada resultado vale para o arranjo daquele estudo.
  • A leitura de 100% dentro de uma caixa fechada não é possível. Para garantir 100%, os instrumentos são lidos sobre uma mesa não metálica.
  • Não há estudo robusto que atribua ao RFID individual menos objetos retidos, menos infecção ou menos quebras.

Como a contagem é feita hoje

Cada caixa precisa voltar completa, limpa e esterilizada, e a conferência hoje é manual. Na sala de cirurgia, isso significa conferir os itens antes do procedimento e de novo depois dele, item por item.

Quando a identificação é instantânea, o tempo de contagem após a cirurgia cai e a rotatividade da sala aumenta. É esse tempo que vários estudos com RFID em instrumentais mediram.

O que os estudos com RFID mediram

Os resultados abaixo vêm de estudos que usaram RFID em instrumentos cirúrgicos. Cada um vale para o arranjo daquele estudo e não para qualquer hospital.

  1. Conjuntos de 75 e 98 instrumentos. Em cenários simulados, a contagem manual levou 130,0 s contra 53,5 s com RFID, e 263,3 s contra 67,5 s. Resultado observado. [1]
  2. Contagem de 41 instrumentos. RFID 64,0 s contra código de barras 190,4 s, com equipe experiente. Resultado observado. [2]
  3. Cerca de 130 itens. A contagem passou de 7 para 5 minutos em um hospital japonês. É um relato operacional. [3]

Como fica a contagem na sala com o SureKits

O SureKits é a camada de identificação e leitura por RFID. Ele se integra ao software de CME que o hospital já usa e não é um software de gestão de CME. Na sala, o fluxo é este:

  1. Antes da cirurgia. Com os instrumentos sobre a mesa de leitura, ou conferidos com o coletor sobre uma mesa não metálica, a contagem confere todos os itens.
  2. Durante o procedimento. Se um instrumento é descartado na lixeira monitorada, a CME é avisada para verificar possíveis quebras.
  3. Ao fim da cirurgia. O instrumentador ou o enfermeiro separa o que foi usado do que não foi usado, e a contagem é feita com o coletor em duas etapas, uma para cada grupo.
  4. Paciente e procedimento. Cada instrumental é associado ao paciente e ao procedimento. Quando o módulo se integra ao sistema de identificação de pacientes do centro cirúrgico, o registro é feito sem digitação.

O que a leitura por RFID entrega

A identificação instantânea reduz o tempo de contagem depois da cirurgia e libera a sala mais rápido. O sistema também alerta sobre itens faltantes na contagem, como apoio à conferência, e registra os instrumentais contaminados, os que precisam de manutenção e os que quebraram.

Há ainda um efeito indireto. Ao separar o usado do não usado em dezenas de cirurgias, o hospital passa a ver quais instrumentos de cada kit realmente são usados. Essa informação é a base para enxugar kits e reduzir reprocessamento, sempre com a aprovação dos cirurgiões e da CME.

O que continua com a contagem manual

A AORN trata o RFID como auxiliar da contagem. Nenhum dos estudos justifica abolir a contagem manual do protocolo sem validação e aprovação do hospital. [21]

Por isso o SureKits entra como apoio à conferência. Quem decide se, quando e como o protocolo muda é o hospital, depois de validar a leitura nos seus kits, com a sua equipe.

O que ainda não está provado

A lista abaixo vem da página de Evidências e ROI.

  1. Desfechos clínicos. Não há estudo robusto que atribua ao RFID individual de instrumentos redução de infecção do sítio cirúrgico, mortalidade, objetos retidos ou cirurgias canceladas.
  2. Leitura completa a cada passagem. Num ensaio de 125 instrumentos, a contagem completa ocorreu em 2 de 4 testes, e nos outros dois foram detectados 124 de 125. Durante o procedimento, um estudo com 15 pacientes registrou detecção de 95% em passagem única e de 100% acumulada, com interferência do eletrocautério. [6]
  3. Tecnologia diferente, resultado diferente. Vários estudos usam RFID de alta frequência. Uma arquitetura UHF exige validação própria de leitura, proximidade de metal e esterilização.
  4. Contagem obrigatória. A RDC 15/2012 trata da rastreabilidade dos lotes de esterilização e não obriga RFID individual por instrumento. [20]

Como começar

O hospital pode começar pela contagem simples com os coletores RFID da Identix, como o ID50, com os instrumentos dispostos sobre uma mesa não metálica. A mesma base de tags cresce depois para as mesas de leitura DR-max e para o módulo do centro cirúrgico.

As tags são aplicadas no próprio hospital, sem retirar instrumentais da instituição: sem custo de transporte e sem cirurgias canceladas por causa da aplicação. Se o hospital tem Datamatrix, ele continua valendo, porque a plataforma trabalha com as duas tecnologias.

Antes de ampliar, vale um piloto que meça o tempo de conferência e a acurácia com os mesmos tipos de kit e a mesma equipe, incluindo exceções e retrabalho.

Perguntas frequentes

O RFID substitui a contagem manual?

Não por si só. A AORN trata o RFID como auxiliar da contagem, e nenhum estudo justifica abolir a contagem manual do protocolo sem validação e aprovação do hospital.

Quanto tempo a leitura por RFID economiza na contagem?

Depende do arranjo. Um estudo mediu 64,0 s com RFID contra 190,4 s com código de barras para 41 instrumentos, com equipe experiente. O valor do seu hospital precisa ser medido nos seus kits.

Dá para contar tudo com a caixa fechada?

Não. O metal da caixa e dos instrumentos amontoados atrapalha a leitura. Para garantir 100%, os instrumentos são lidos sobre uma mesa não metálica.

O RFID reduz objetos retidos?

Não há estudo robusto que atribua isso ao RFID individual de instrumentos. O SureKits alerta sobre instrumentos faltantes na contagem, como apoio à conferência.

A RDC 15 exige RFID para contar instrumentais?

Não. A RDC 15/2012 exige a rastreabilidade do processamento, incluindo os lotes de esterilização, e não obriga RFID individual.

O SureKits é um software de CME?

Não. Ele cuida da identificação e da leitura por RFID e se integra ao software de CME que o hospital já usa.

Fontes

  1. Hendricks W, Mecca J, Rahimi M, et al. Evaluation of a Novel System for RFID Intraoperative Cardiovascular Analytics. IEEE J Transl Eng Health Med. 2022;10:1900309. doi.org/10.1109/JTEHM.2022.3196832
  2. Kusuda K, Yamashita K, Morishita E, et al. Comparison of Reading Times of RFID-Tagged and Barcode-Engraved Surgical Instruments. J Surg Res. 2024;304:121-125. doi.org/10.1016/j.jss.2024.09.087
  3. Hanada E, Hayashi M, Ohira A. Introduction of an RFID Tag System to a Large Hospital and the Practical Usage of the Data Obtained. ISMICT. 2015. doi.org/10.1109/ISMICT.2015.7107508
  4. Yamashita K, Kusuda K, Ito Y, et al. Evaluation of Surgical Instruments With Radiofrequency Identification Tags in the Operating Room. Surg Innov. 2018;25(4):374-379. doi.org/10.1177/1553350618772771
  5. Anvisa. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012, arts. 24 a 26. anvisalegis.datalegis.net
  6. Cochran K. Guidelines in Practice: Prevention of Unintentionally Retained Surgical Items. AORN J. 2022;116(5):427-440. doi.org/10.1002/aorn.13804

Como é a contagem na sua sala hoje?

Conte como é o seu fluxo e mostramos onde a leitura por RFID entra, sem mexer no protocolo do hospital.

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