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Instrumentais de OPME alugados: como controlar entrada, uso e devolução

A caixa de instrumentais para implantes precisa chegar completa e a tempo, voltar completa, e ninguém quer discutir depois o que faltou. A identificação por RFID dá a quem aluga e a quem recebe o mesmo registro do que saiu e do que voltou, e não substitui contratos nem prazos.

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Em resumo
  • A leitura RFID confere, instrumento a instrumento, o que saiu e o que voltou, com data e hora. Fornecedor e hospital passam a ter o mesmo registro.
  • Conjuntos de OPME muitas vezes não têm marcação. O RFID dá identidade a eles sem gravação externa, e o Datamatrix e a UDI continuam valendo onde existem.
  • O ganho completo depende de os hospitais também lerem as tags. Isso pede acordo entre as partes.
  • Não há estudo robusto que mostre redução causal de perdas ou de quebras com RFID. O SureKits identifica e registra, e contratos, prazos e responsabilidades continuam os mesmos.

A situação de quem aluga e de quem recebe

Quem fornece caixas de instrumentais para a colocação de próteses vive um problema conhecido: a caixa precisa chegar completa e a tempo, voltar completa, e a discussão sobre o que faltou costuma vir depois. A literatura registra entregas tardias que atrapalham o reprocessamento e levam a atrasos e até a cancelamento de cirurgia, além de conjuntos incompletos e perdas. [25]

Do lado do hospital, o problema é parecido. Quando a cirurgia é cancelada, a caixa já foi processada. Em um hospital universitário, foram 854 caixas consignadas processadas e não usadas, um desperdício estimado em R$ 34.340,18. Esse valor é uma média do estudo, não um custo por instrumento, e não equivale a economia obtida com RFID. [19]

Instrumentais sem marcação e a identidade de cada peça

Instrumentais antigos, caixas de locação e conjuntos para implantes de OPME muitas vezes não têm marcação. O RFID dá identidade a eles sem gravação externa. Numa avaliação de um hospital francês, o RFID foi recomendado justamente para o material de empréstimo.

Onde já existem Datamatrix e UDI, eles continuam sendo o identificador do fabricante, e o RFID soma a leitura rápida, em lote. Um mesmo instrumento pode ter vários identificadores cadastrados, como o código do fornecedor, o Datamatrix e a UDI, desde que cada identificador seja único para cada instrumento.

O que a leitura dá a cada lado

Para o fornecedor, o ganho é saber o que está em cada caixa e provar o que entregou e o que recebeu. Na prática, isso aparece em cinco pontos:

  1. Saída e devolução conferidas. A leitura RFID confere, instrumento a instrumento, o que saiu e o que voltou, com data e hora. Fornecedor e hospital passam a ter o mesmo registro.
  2. Menos discussão sobre faltantes e avarias. Com cada peça identificada, fica claro o que foi entregue, o que retornou e em que estado. Um relato brasileiro associou a codificação dos instrumentais à redução de reclamações por falta de material nas caixas. [26]
  3. Caixa completa antes de sair. A conferência na montagem aponta o que falta ou sobra antes de a caixa seguir para o hospital, em vez de descobrir na sala.
  4. Onde está cada caixa. Leituras na saída, no recebimento e na devolução dão visibilidade do parque de caixas e ajudam a planejar entregas com antecedência.
  5. Uso real e parque dimensionado. Saber o que foi usado e o que não foi, em cada cirurgia, ajuda a dimensionar o número de caixas e a enxugar conjuntos. Isso exige validação clínica.

O que muda para o hospital que recebe

O hospital passa a conferir a caixa que chega com o mesmo registro que o fornecedor tem. A leitura é feita com um coletor RFID Identix sobre uma mesa não metálica, e as leituras seguem para o software de CME que o hospital já usa, por integração.

Ao fim da cirurgia, o instrumentador ou o enfermeiro separa o que foi usado do que não foi usado, e a contagem é feita com o coletor em duas etapas. Saber o que foi usado em cada cirurgia ajuda a dimensionar o número de caixas e a enxugar conjuntos, o que exige validação clínica.

O SureKits é a camada de identificação e leitura. Ele não é um software de gestão de CME e não substitui o que o hospital já tem.

Limites e cuidados

  1. Vários hospitais. Um instrumento que circula entre vários hospitais só traz ganho completo se o recebimento deles também ler as tags. Isso pede acordo entre as partes.
  2. Caixa fechada. A leitura em lote exige os instrumentos sobre uma mesa não metálica, e não dentro da caixa fechada.
  3. Números de fornecedores de tecnologia. Há relatos de grandes reduções de perdas com RFID, mas sem metodologia pública. Não usamos esses números.
  4. Contratos e responsabilidades. O SureKits identifica e registra. Os contratos, os prazos e as responsabilidades continuam sendo os mesmos.

O que ainda não está provado

Não há demonstração de redução causal de perdas, reparos ou quebras com RFID individual de instrumentos. Também não há estudo robusto que atribua a ele menos cirurgias canceladas ou outros desfechos clínicos.

O relato brasileiro sobre a codificação dos instrumentais é um relato de implantação em uma CME. [26] O dado das 854 caixas mostra o tamanho do problema e não o que o RFID evitaria. Vale um piloto com indicadores combinados antes de qualquer conta de retorno.

Como começar

A empresa ou o hospital pode começar pela contagem simples com os coletores RFID da Identix e ampliar depois para as mesas de leitura DR-max. A tag é aplicada na própria empresa, sem enviar instrumentais para fora, e o método de aplicação é patenteado para que ela não se solte.

Não é preciso identificar todo o acervo de uma vez. A plataforma trabalha com RFID e Datamatrix ao mesmo tempo e aceita a codificação que o fornecedor já usa, mesmo que não siga o padrão GS1 nem a UDI.

Perguntas frequentes

O SureKits atende empresas que alugam instrumentais para OPME?

Sim. A leitura RFID confere o que saiu e o que voltou em cada caixa e dá visibilidade de onde está cada caixa. Ela não substitui contratos nem prazos.

Os instrumentais precisam sair da empresa para receber as tags?

Não. A tag é aplicada na própria empresa, sem enviar instrumentais para fora.

E se o hospital que recebe a caixa não ler as tags?

O ganho completo exige que o recebimento também leia as tags. Isso pede acordo entre as partes.

Posso manter o código e o Datamatrix que já uso?

Sim. O mesmo instrumento pode ter vários identificadores cadastrados, como o código do fornecedor, o Datamatrix e a UDI, desde que cada identificador seja único.

O RFID reduz perdas de instrumentais alugados?

Não há demonstração de redução causal de perdas. Relatos de fornecedores de tecnologia sobre grandes reduções não têm metodologia pública, e por isso não os usamos.

Dá para ler a caixa fechada na devolução?

Não. A leitura em lote exige os instrumentos sobre uma mesa não metálica.

Fontes

  1. Lopes SG, Poveda VB. Proposta de modelo para cálculo de desperdício associado ao processamento de instrumentais cirúrgicos consignados. Rev Latino-Am Enfermagem. 2023;31. doi.org/10.1590/1518-8345.6716.4062
  2. Addressing Challenges Associated With Loaner Instrument Sets. AORN Journal, 2026 (resumo). unboundmedicine.com
  3. Relato de implantação de rastreabilidade em CME: codificação dos instrumentais e redução de reclamações por falta de material nas caixas. CBCENF. inscricoes-cbcenf.cofen.gov.br

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