- A página de Evidências e ROI separa cada número em quatro categorias. Quase todo valor em dinheiro é estimado.
- Os estudos de economia citados enxugaram kits sem RFID. O retorno deles não é o retorno de tags, leitores e software.
- Não existe um custo nacional comprovado para reprocessar um instrumento. Seis referências brasileiras vão de R$ 0,29 a R$ 8,18, porque medem coisas diferentes.
- A calculadora vem com valores de exemplo e sem preços de mercado. O hospital informa os seus números, e nenhum resultado dela é promessa de payback.
Artigo
Custo e retorno do instrumental cirúrgico: como fazer a conta
O retorno de um projeto de RFID em instrumentais mistura números de natureza muito diferente: o que a literatura mediu, o que é estimativa e o que ainda não está provado. A calculadora da página de Evidências recebe os números do seu hospital.
Por que a conta é difícil
Quanto custa perder e reprocessar instrumentos, e quanto isso muda com a identificação de cada peça? A resposta mistura três tipos de dado: tempos e contagens medidos em estudos, valores financeiros calculados por modelo e efeitos que ninguém demonstrou.
A página de Evidências e ROI diz sempre de qual tipo é cada número.
As quatro categorias de número
- Observado. Tempo, taxa de leitura ou número de instrumentos registrados diretamente em teste ou na operação. Exemplo: contar 41 instrumentos levou 64,0 s com RFID e 190,4 s com código de barras, com equipe experiente. [2]
- Implementado e medido. Mudança que de fato aconteceu no kit, no tempo ou no volume de reprocessamento depois da implantação. Exemplo: 25 de 62 instrumentos saíram de um kit de cirurgia de mama (40,3%), e nenhum dos 25 foi solicitado nas 10 cirurgias seguintes. [7]
- Estimado. Valor financeiro, payback ou custo evitado calculado por modelo. Não prova que o dinheiro deixou de sair do caixa. Exemplo: US$ 69.441 por ano em reesterilização e US$ 163.800 em compras evitadas, estimados em um estudo de cirurgia plástica com 183 casos. [11]
- Proposto. Configuração de kit calculada, ainda não implantada nem validada ao longo do tempo. Exemplo: um modelo canadense de ortopedia propôs 47 instrumentos em vez de 88. [13]
O que a literatura mediu e o que só estimou
Os estudos que usaram RFID em instrumentais mediram sobretudo tempo e tamanho de kit. No programa da Duke, a redução média do fornecimento foi de 50,8% em kits mamários e ortopédicos, e a montagem de um conjunto de laparotomia caiu de 20 para 10 minutos. Os dois resultados foram implementados e medidos. [8] [4]
Os valores em dinheiro vêm de outro grupo de trabalhos, de racionalização de kits feitos sem RFID. No Brigham and Women's, 29 configurações foram reduzidas a 12, e 11.627 reprocessamentos de instrumentos foram evitados em seis meses. Os US$ 153.089 calculados somam custos do centro cirúrgico e da CME, e o payback estimado de 5,3 meses vale para um projeto sem RFID. [16] Esse payback não é o de tags, leitores e software.
Os dois trabalhos da Duke pertencem ao mesmo programa e podem ter casos em comum, então não se somam como amostras independentes.
Quanto custa reprocessar um instrumento
Qualquer conta de redução de reprocessamento precisa de um custo por instrumento e por ciclo, e não existe um valor nacional comprovado. Seis referências brasileiras de custeio vão de R$ 0,29 a R$ 8,18, porque medem coisas diferentes. Uma é a mediana de contratos públicos de esterilização, cuja unidade nem sempre é uma peça. Outra rateia só a autoclave e a mão de obra.
Dois conceitos precisam ficar separados. O custo integral é o valor de toda a atividade de reprocessar, e o valor sugerido na página de Evidências é R$ 6,34 por instrumento por ciclo, valor de 2023 e sem correção monetária. A economia realizável é só a parte que deixa de existir quando o instrumento sai do kit. Se um kit passa de 80 para 60 instrumentos, o hospital continua usando a autoclave e vários recursos da CME, então não dá para contar 20 × R$ 6,34 como economia.
No estudo de Santo André, 854 caixas consignadas foram processadas e não utilizadas após 85 cirurgias canceladas, com desperdício estimado em R$ 34.340,18, cerca de R$ 40,21 por caixa. É uma média, não um custo por instrumento nem uma tabela de preços. [19]
Como usar a calculadora da página de Evidências
A calculadora parte de quantidades físicas e só depois aplica o custo variável do hospital. Os campos vêm com valores de exemplo, que não são dados de mercado. O hospital substitui todos pelos seus. Os dados não saem do navegador.
- Descreva os kits. Informe os kits do tipo, os instrumentos por kit, os retirados e validados e os reprocessamentos por ano. Os exemplos usam 62 instrumentos por kit, 25 retirados e 50 reprocessamentos. Só contam as peças aprovadas por cirurgiões e CME.
- Troque o custo pelo do seu hospital. O custo integral vem com o valor sugerido de R$ 6,34 e é editável. A parte que realmente deixa de existir é um campo separado, com 30% como sugestão.
- Separe hora de dinheiro. Uma hora liberada não é, por si só, dinheiro economizado. Só entra a parte que vira menos hora extra, contratação evitada ou mais capacidade.
- Informe o que a solução custa. O investimento inicial e o custo recorrente vêm em branco, para o hospital preencher com os valores da sua proposta: tags, leitores, validação, software e integração. O horizonte começa em 5 anos.
O que ainda não está provado
Os números publicados mostram viabilidade e potencial, e não substituem uma avaliação local.
- Desfechos clínicos. Não há estudo robusto que atribua ao RFID individual de instrumentos redução de infecção do sítio cirúrgico, mortalidade, objetos retidos ou cirurgias canceladas.
- Perdas e quebras. Também não há demonstração de redução causal de perdas patrimoniais, reparos ou quebras. O histórico por instrumento permite estudar a vida útil, mas não prova que alertas reduziram quebras.
- Payback de racionalização. O payback de enxugar bandejas sem RFID não é o payback de tags, leitores e software. Os dois trabalhos da Duke também não se somam como amostras independentes.
- Tecnologia diferente, resultado diferente. Vários estudos usam RFID de alta frequência (13,56 MHz). Uma arquitetura UHF, como a do SureKits, exige validação própria de leitura, proximidade de metal e esterilização.
- A contagem manual continua. A AORN trata o RFID como auxiliar da contagem. Nenhum estudo justifica abolir a contagem manual do protocolo sem validação e aprovação do hospital. [21]
- Norma brasileira. A RDC 15/2012 trata da rastreabilidade dos lotes de esterilização e não obriga RFID individual por instrumento. [20]
Como validar no seu hospital
O SureKits é a camada de identificação e leitura por RFID e se integra ao software de CME que o hospital já usa. As tags são aplicadas no próprio hospital, sem retirar instrumentais da instituição.
A Identhis sugere um piloto com indicadores combinados. Um piloto bem desenhado separa três resultados e não conta a mesma hora de trabalho duas vezes.
- Desempenho da leitura. Tempo de conferência e acurácia, com os mesmos tipos de kit e a mesma equipe, incluindo exceções e retrabalho.
- Economia operacional medida. Instrumentos retirados após aprovação clínica, solicitações de peças retiradas nos casos seguintes e reprocessamentos evitados, comparando antes e depois.
- Benefício financeiro líquido. Conciliação entre custo variável, horas realmente capturáveis, compras evitadas, investimento e custo recorrente.
Perguntas frequentes
Quanto custa reprocessar um instrumento no Brasil?
Não existe um valor nacional comprovado. Seis referências brasileiras vão de R$ 0,29 a R$ 8,18, porque medem coisas diferentes. A calculadora sugere R$ 6,34, e o valor é editável.
A economia de um kit menor é o custo de reprocessar vezes o número de instrumentos retirados?
Não. Só conta como economia realizável a parte do custo que deixa de existir. A calculadora sugere 30%, e o hospital deve medir a sua na CME.
O payback de 5,3 meses do Brigham and Women's vale para o RFID?
Não. Foi um projeto sem RFID, e o valor é estimado. O payback de tags, leitores e software depende do investimento e do custo recorrente de cada hospital.
O SureKits garante um payback?
Não. Os números publicados mostram viabilidade e potencial, e o retorno depende dos kits e dos custos de cada hospital. Por isso sugerimos um piloto com indicadores combinados antes.
O SureKits substitui o software de CME?
Não. Ele cuida da identificação e da leitura por RFID e se integra ao software de CME que o hospital já usa.
Fontes
- Kusuda K, Yamashita K, Morishita E, et al. Comparison of Reading Times of RFID-Tagged and Barcode-Engraved Surgical Instruments. J Surg Res. 2024;304:121-125. doi.org/10.1016/j.jss.2024.09.087
- Hanada E, Ohira A, Hayashi M, Sawa T. Improving Efficiency through Analysis of Data Obtained from an RFID Tag System for Surgical Instruments. IEEE ICCE-Berlin. 2015. doi.org/10.1109/ICCE-Berlin.2015.7391339
- Olivere LA, Hill IT, Thomas SM, Codd PJ, Rosenberger LH. Radiofrequency Identification Track for Tray Optimization: An Instrument Utilization Pilot Study in Surgical Oncology. J Surg Res. 2021;264:490-498. doi.org/10.1016/j.jss.2021.02.049
- Hill I, Olivere L, Helmkamp J, et al. Measuring Intraoperative Surgical Instrument Use with Radio-Frequency Identification. JAMIA Open. 2022;5(1):ooac003. doi.org/10.1093/jamiaopen/ooac003
- Wood BC, Konchan S, Gay S, Rath S, Deshpande V, Knowles M. Data Analysis of Plastic Surgery Instrument Trays Yields Significant Cost Savings and Efficiency Gains. Ann Plast Surg. 2021;86(6S Suppl 5):S635-S639. doi.org/10.1097/SAP.0000000000002913
- Toor J, Bhangu A, Wolfstadt J, et al. Optimizing the Surgical Instrument Tray to Immediately Increase Efficiency and Lower Costs in the Operating Room. Can J Surg. 2022;65(2):E275-E281. doi.org/10.1503/cjs.022720
- Hyland CJ, Etheridge JC, Newell PC, Yates EF, Talbot SG. The Financial and Environmental Impacts of Optimizing Surgical Instrument Trays in Plastic Surgery. Plast Reconstr Surg. 2026;157(4):644e-647e. doi.org/10.1097/PRS.0000000000012444
- Lopes SG, Poveda VB. Proposta de modelo para cálculo de desperdício associado ao processamento de instrumentais cirúrgicos consignados. Rev Latino-Am Enfermagem. 2023;31. doi.org/10.1590/1518-8345.6716.4062
- Anvisa. Resolução RDC nº 15, de 15 de março de 2012, arts. 24 a 26. anvisalegis.datalegis.net
- Cochran K. Guidelines in Practice: Prevention of Unintentionally Retained Surgical Items. AORN J. 2022;116(5):427-440. doi.org/10.1002/aorn.13804
Quer fazer a conta com os kits do seu hospital?
Conversamos sobre um piloto com indicadores combinados antes, para que o resultado seja o do seu hospital.